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Psicologia
Estudo sobre suicídio ganha premio
Bruno Mendonça Coelho, e colaboradores psiquiatras do Núcleo de Epidemiologia Psiquiátrica do Instituto de Psiquiatria Da Faculdade de Medicina da USP , foi premiado durante o 14º Congresso Mundial de Psiquiatria, realizado nos dias 20 e 25 de setembro em Praga, na República Tcheca. A pesquisa avaliou 1.464 pessoas da população em geral, cerca de 3% delas já tentou o suicídio
No Brasil a taxa de suicídio é de 4,5 para cada 100 mil habitantes, anualmente. Em 2004 houve 7.987 mortes por suicídio, ou seja, 0,8% do total das mortes. A taxa global de suicídio no país cresceu 21% nos últimos 20 anos, entre 1980 e 2000. Os números não são precisos devido à subnotificação dos óbitos por suicídio. Foi feita uma análise multivariável, ou seja, foram cruzados por meio de técnicas estatísticas e ao mesmo tempo vários dados como gênero, idade, status marital, escolaridade e a depressão, distimia e uso de álcool e drogas, diferentemente de outras pesquisas sobre o tema
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), 3 mil pessoas por dia cometem suicídio no mundo, o que significa que a cada 30 segundos uma pessoa se mata. Anualmente, são contabilizados no mundo cerca de 1 milhão de suicídios e projeta-se que este número chegue a 1,5 milhão em 2020. Ainda segundo a OMS, o suicídio é atualmente uma das três principais causas de morte entre jovens e adultos de 15 a 34 anos, embora a maioria dos casos aconteça entre pessoas com mais de 60 anos. Esta análise multivariável permite uma investigação mais refinada dos comportamentos suicidas. Na maioria dos estudos, o suicídio é analisado cruzando apenas duas variáveis por vez, como por exemplo, o risco em relação ao sexo ou em relação a doenças psiquiátricas. Com o cruzamento de diversos dados ao mesmo tempo, o médico pôde constatar que a depressão, e principalmente a distimia, associada ao abuso ou dependência do álcool, aumenta a ocorrência de idéias, planos e tentativas de suicídio. A distimia é um tipo de transtorno depressivo que é visto em geral como mais leve, porém por ter maior duração e melhorar menos com o tratamento, seu impacto na vida da pessoa é grande, sendo que cerca de 90% dos suicídios estão relacionados a doenças psiquiátrica.
Uma das constatações do estudo é que as mulheres tentam o suicídio quase três vezes mais em relação aos homens. Entre os entrevistados, 16,5% já tiveram depressão em algum momento da vida. Em relação aos transtornos pelo uso de álcool e drogas, excluindo o tabaco, os percentuais chegam a 5,5% e 1,1%, respectivamente. Se dividirmos por gênero, 14.6% dos homens e 20,7% das mulheres já tiveram depressão em algum momento da vida.

Em relação a distimia, também avaliada no estudo, o percentual chegou a 4,3%, ao longo da vida dos entrevistados. Neste caso, na divisão por gênero, as mulheres ficaram em 4,7% e homens em 3,7%.
É comum se dizer que uma pessoa usuária de álcool tentou se matar por causa da bebida. A análise deve ser muito mais detalhada e em muitos aspectos.
Fonte: 14º Congresso Mundial de Psiquiatria, 20/ 25 de setembro 2008 em Praga

 

 

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