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Psicologia
Delírios e crimes violentos
A relação entre transtorno mental grave e violência é muito complexa ,freqüentemente porque existe um intervalo de tempo considerável entre o crime e a avaliação adequada dos sujeitos que os cometeram..
A porcentagem de toda a violência social atribuída à psicose e à esquizofrenia é pequena, geralmente abaixo de 10%.
Um ato grave de violência, definido como agressão ou ataque que causem dano físico sério cometido por uma pessoa com transtorno mental grave, é evento relativamente raro.
Estudos realizados em diferentes países com prisioneiros que tinham cometido crimes violentos indicaram prevalência mais elevada da esquizofrenia neste grupo (prisioneiros) em comparação com a população geral, Entretanto, outros estudos indicaram uma associação negativa entre psicose e violência. Observaram que os principais fatores motivadores para o crime foram os sintomas delirantes, os quais conduziam mais freqüentemente a atos violentos do que a atos triviais. As alucinações não tiveram o mesmo efeito quando a atividade delirante não estava presente.
Para determinar possíveis associações entre esquizofrenia, delírio e crime, muitos estudos utilizaram registros médicos ou documentos da polícia, geralmente retrospectivos e muito tempo após a ocorrência do ato violento. Estas dificuldades são ainda mais sérias quando são considerados os crimes violentos que ocorrem durante o período inicial de um estado de esquizofrenia.
Eduardo Henrique Teixeira e colaborador, psiquiatras da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas fazem um estudo para avaliar as relações possíveis entre o tipo e as dimensões dos delírios e do crime violento.
Participaram do estudo dois grupos de 30 indivíduos com psicose delirante. Um grupo consistia de pacientes de uma Casa de Custódia do Estado de São Paulo. Os pacientes do grupo controle foram selecionados de enfermarias psiquiátricas comuns.
A idade média de ambos os grupos foi ? com uma pequena variação entre os grupos ? de 38 anos, e a duração média da doença foi de 15,8 e 16,5 anos, respectivamente, com maior representação, pela ordem, dos transtornos psicóticos (como a esquizofrenia), dos transtornos delirantes, dos transtornos psicóticos agudos e dos transtornos esquizoafetivos.
O delírio persecutório foi o mais comum presente em ambos os grupos, com 70% contra 76,7% no grupo comparado. Trata-se do tipo de delírio mais comum entre os diversos subtipos de pacientes com esquizofrenia. Esse delírio é caracterizado por pensamento paranóide, isto é, de conteúdo de perseguição, como acreditar estar sendo seguido, vigiado ou ter sido vítima de macumba.
A fim de identificar a atividade delirante nos dois grupos, os pacientes tiveram seus sintomas do passado e do presente confirmados no início da entrevista. O critério de inclusão exigia que todos os pacientes ainda estivessem delirantes, mesmo sob uso de medicação. Nenhuma diferença foi encontrada entre os dois grupos em relação à psicopatologia, segundo o estudo. Os autores concluem após a aplicações de vários testes psicológicos que os delírios que induzem a inibição de ações aparentemente também reduzem o potencial de ações violentas e, ao contrário do que se afirma correntemente, pacientes delirantes assustados ou com outros afetos negativos associados ao delírio parecem cometer menos atos violentos. Portanto, fatores intrínsecos inerentes a algumas dimensões do delírio podem ser relevantes na ocorrência de crimes violentos cometidos por pacientes psicóticos.



Fonte: J. Bras. Psiquiatr.57(3)Set 2008

 

 

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