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Fisioterapia
Reabilitando a DPOC
A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica DPOC é uma doença altamente incapaci¬tante, capaz de prejudicar o paciente em vários aspectos de sua vida. O número de pacientes que sofrem dessa doença tem aumentado gradativa¬mente nos últimos anos. Como consequência, tem havido um aumento significativo no número de internações hospitalares e nos gastos com a rede previdenciária.
Ansiedade e depressão aparecem em percen¬tuais que variam, respectivamente, de 21% a 96% e de 27% a 79% dos pacientes com DPOC, o que vem a prejudicar ainda mais a qualidade de vida dessas pessoas. Com a evolução da doença, os efeitos da DPOC são sentidos permanente¬mente. A progressiva intensificação da dispnéia faz com que o paciente necessite modificar seu estilo de vida, pois se sente incapaz de manter sua vida da mesma maneira que mantinha antes das primeiras manifestações da doença.
O impacto da DPOC no indivíduo não se dá somente no âmbito da limitação física. Além das dificuldades físicas observadas durante a reali¬zação das atividades de vida diária, as limitações da doença são percebidas também nas relações afetivas, conjugais e sexuais, assim como nas atividades de lazer e profissionais. Em decor¬rência desse fato, muitos pacientes tornam-se amplamente dependentes de seus familiares, o que acaba reforçando seu sentimento de inca¬pacidade.
Os efeitos imediatos da reabilitação pulmonar são amplamente documentados na literatura. No entanto, poucos estudos foram realizados para verificar a duração a longo prazo desses efeitos, especialmente sobre variáveis emocionais.
Rossane Frizzo de Godoy e colaboradores, médicos e professores de educação física analisaram os efeitos, após 24 meses, de um programa de reabilitação pulmonar (PRP) sobre os níveis de ansiedade, depressão, qualidade de vida e desempenho físico em pacientes com DPOC.Trinta pacientes com DPOC (média de idade, 60,8 ± 10 anos; 70% do sexo masculino) participaram de um PRP com 12 semanas de duração, incluindo 24 sessões de exercício físico, 24 sessões de reeducação respiratória, 12 sessões de psicoterapia e 3 sessões educacionais. Os pacientes foram avaliados na linha de base (pré-PRP), ao término do PRP (pós-PRP) e dois anos mais tarde (momento atual) através de quatro instrumentos: Inventário de Ansiedade de Beck; Inventário de Depressão de Beck; Questionário Respiratório do Hospital Saint George; e teste da caminhada de 6 minutos (TC6).
A comparação entre o pré-PRP e o pós-PRP revelou uma redução significativa dos níveis de ansiedade (pré-PRP: 10,7 ± 6,3; pós-PRP: 5,5 ± 4,4; p = 0,0005) e de depressão (pré-PRP: 11,7 ± 6,8; pós-PRP: 6,0 ± 5,8; p = 0,001), assim como melhoras na distância percorrida no TC6 (pré-PRP: 428,6 ± 75,0 m; pós-PRP: 474,9 ± 86,3 m; p = 0,03) e no índice de qualidade de vida (pré-PRP: 51,0 ± 15,9; pós-PRP: 34,7 ± 15,1; p = 0,0001). Não houve diferenças estatisticamente significativa entre os resultados do pós-PRP e os do momento atual.
Os autores concluem que os benefícios obtidos através do PRP sobre os índices de ansiedade, depressão e qualidade de vida, assim como no TC6, persistiram ao longo dos 24 meses.

veja www.intramed.uol.com.br

Fonte: J Bras Pneumol. 2009;35(2):129-136

 

 

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