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Operado do joelho e volta ao esporte
As lesões ligamentares do joelho são comuns em indivíduos que praticam esportes, sendo a lesão do ligamento cruzado anterior (LCA) a mais freqüente nos esportes de contato. A ruptura desse ligamento provoca uma frouxidão articular, principalmente nos movimentos rotacionais e causa, freqüentemente, incapacidade para a prática esportiva e desgaste articular A reconstrução ligamentar tem como objetivo reconstituir o ligamento lesado, por meio da sua substituição por uma estrutura que assemelha-se ao tecido ligamentar, de forma que esse tecido seja funcionalmente eficaz.
Os resultados pós-cirúrgicos são avaliados quanto ao grau de frouxidão ligamentar residual, ao nível funcional, à alteração da acuidade proprioceptiva, à satisfação do paciente e quanto à presença de algumas complicações como a dor, o derrame articular, a limitação do movimento articular e a hipotrofia dos músculos da coxa, principalmente o músculo quadríceps. Em decorrência dessas avaliações, alguns autores, consideraram a reconstrução do ligamento como o fator primordial para a estabilidade articular e para o retorno à atividade física.
Os autores discutem que, após a reconstrução, ocorre uma estabilização efetiva da articulação e que o sucesso da cirurgia deveria ser avaliado pelo retorno à atividade física. Para esses autores, o aumento da frouxidão ligamentar observada em alguns indivíduos e que ocorre com o passar dos anos de cirurgia, deve ser atribuído às propriedades viscoelásticas do tecido, e pode não ter relação com a função. Considerando, ainda, a presença de frouxidão ligamentar residual após a reconstrução do LCA, existe estudos que demonstraram uma ausência de associação do nível funcional dos pacientes avaliados com sinais clínicos objetivos, tais como o testes ortopédicos positivos; e com sinais clínicos subjetivos, tais como a presença de dor, da queixa funcional e da queixa de instabilidade. Esses autores concluíram que não existe relação direta entre nível funcional e grau de frouxidão ligamentar.
A importância da função mecânica que o ligamento exerce é bem discutida, mas uma grande parte do corpo de evidências aponta para um papel secundário na estabilidade articular. A função sensorial do ligamento e de outras estruturas que compõem a articulação, também devem ser consideradas na análise da estabilidade articular dinâmica.
A hipotrofia do músculo quadríceps é outro fenômeno, freqüentemente, observado nos pacientes em pós-operatório de reconstrução do LCA. Alguns autores demonstraram, através dos estudos que incluíam a mensuração da força do músculo quadríceps, que o déficit encontrado entre membros pode ser observado até dois anos após a cirurgia. No entanto, esse déficit de força parece não ter relação com outras variáveis, como o nível funcional e a frouxidão ligamentar residual, demonstrando uma ausência de evidências que comprove a dependência direta da resposta muscular em decorrência da estrutura ligamentar.
Dessa forma, uma vez que o objetivo final da reconstrução ligamentar é o retorno à atividade física, no mesmo nível pré-lesão, avaliar fatores neuromusculares e mecânicos pode ajudar a esclarecer como eles influenciam e/ ou determinam a estabilidade articular. Além disso, o entendimento desses mecanismos pode contribuir para elucidar a razão pela qual indivíduos mesmo após a reconstrução não conseguem retornar à atividade física e ao mesmo nível funcional.
Lygia Paccini Lustosa e colaboradores médicos e fisioterapeutas da Universidade Federal de Minas Gerais fazem estudo em 25 homens, operados pelo mesmo cirurgião, com o ligamento patelar, via artroscopia e mais de dois anos de pós-operatório. Utilizou-se a Cincinnati Knee Rating System para divisão em: grupo adaptado ? 15 indivíduos - retornaram ao mesmo nível pré-lesão e grupo não adaptado ? 10 indivíduos - não retornaram ao mesmo nível. Todos realizaram o hop test e a corrida em oito para avaliação do desempenho funcional. A performance muscular foi avaliada pelo dinamômetro isocinético e a frouxidão ligamentar determinada pelo artrômetro KT-1000. Os autores concluíram não houve diferença significativa entre os grupos em nenhuma das variáveis testadas e não houve diferença entre os membros, operado e não operado.
O não retorno ao mesmo nível funcional pré-lesão não pode ser explicado pela frouxidão ligamentar residual ou pelas diferenças do desempenho muscular e funcional.

veja www.intramed.uol.com.br
Fonte: Acta ortop. bras.15(5) 2009

 

 

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