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Fisioterapia
Mediadores do dano cerebral
O trauma é a principal causa de morte em pessoas entre 1 e 44 anos. O traumatismo crânio-encefálico (TCE) é o principal fator de gravidade dentro deste grupo. O TCE grave está associado a uma taxa de mortalidade de 30 a 70%, e a recuperação dos sobreviventes é marcada por seqüelas neurológicas graves e por uma qualidade de vida muito prejudicada.
A gravidade do TCE é comumente determinada utilizando-se a Escala de Coma de Glasgow (GCS - Glasgow Coma Scale). Esta escala é obtida pela observação de três parâmetros: abertura ocular, resposta verbal e resposta motora. O TCE é categorizado como grave com uma pontuação na GCS de 3 a 8, como moderado com GCS de 9 a 12 e como leve com GCS de 13 a 15. A GCS tem sido usada como um dos mais importantes preditores de desfecho no TCE, embora outras variáveis, como idade, respostas motoras anormais, achados tomográficos, anormalidades pupilares e episódios de hipóxia( falta de ar) e hipotensão tenham sido subseqüentemente introduzidas na tentativa de uma determinação mais acurada do prognóstico. A interferência da intoxicação alcóolica na diminuição da pontuação na GCS é controversa.
A escala funcional de Glasgow (GOS, Glasgow Outcome Scale) é a escala mais usada para avaliação do prognóstico funcional após o TCE. Ela tem cinco categorias, de morte até bom prognóstico funcional, e é normalmente determinada 3, 6 e 12 meses após o trauma. Contudo, ela apresenta importantes deficiências e a avaliação precoce do dano cerebral pode ser muito difícil durante a estada do paciente na unidade de terapia intensiva (UTI).A tomografia computadorizada (TC) é o exame de imagem de escolha no manejo da vítima de TCE na sala de emergência. Através desse exame, hematomas podem ser rapidamente diagnosticados, favorecendo, quando indicado, tratamento cirúrgico precoce. A TC tem, no entanto, baixa sensibilidade no diagnóstico de lesões não hemorrágicas, o que explica a pobre correlação, muitas vezes observada, entre os achados tomográficos e a pontuação na GCS. A TC deve ser repetida se houver deterioração do quadro clínico, uma vez que lesões já diagnosticadas podem aumentar ou novas lesões podem se desenvolver, principalmente nas primeiras 12 a 24 horas após o trauma. Uma classificação para os achados tomográficos no TCE foi feita nas alterações tomográficas: edema , volume de lesões de alta ou mista densidade (coleções hemáticas), desvio de linha média e evacuação de lesão de massa. A recuperação após o TCE está relacionada à gravidade do dano inicial (lesão primária) e à presença de danos secundários. Uma causa importante de lesão secundária é o desenvolvimento de hipertensão intracraniana (HIC), o que pode ser ocasionado por hematoma intracraniano ou edema cerebral. O objetivo tradicional do manejo dos pacientes com TCE tem sido limitar o dano secundário pela manipulação da pressão intracraniana e da pressão de perfusão cerebral assim como evitar fatores agravantes, como hipoxemia e hipotensão, a fim de melhorar o prognóstico destes pacientes.
A grande variedade de condições associadas e o valor preditivo variável da avaliação clínica complicam a identificação de pacientes com maior risco para o desenvolvimento de HIC e desfecho fatal na fase inicial da lesão traumática. Devido a essas questões, há considerável interesse no desenvolvimento e posterior aplicação de um marcador bioquímico que reflita a gravidade do dano cerebral e que se correlacione com desenvolvimento de lesão secundária, prognóstico a curto prazo (mortalidade) e prognóstico funcional a longo prazo,
Carla Oliveira de Oliveira e colaboradores da Universidade Luterana do Brasil, Canoas afirmam que um bom biomarcador de lesão cerebral deve ser sensível e ter alta especificidade para tecido cerebral. Deve ser medido em soro, pois líquido céfalo-raquidiano nem sempre é disponível, e, no TCE grave, ocorre uma ruptura da integridade da barreira hemato-encefálica.(18) Deve ter pouca variabilidade relacionada a sexo e idade. Deve, também, ter valor clínico em pacientes com politraumatismo associado.



Fonte: Rev. bras. ter. intensiva 20(4) Oct./Dec. 2008

 

 

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