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Psicologia
Doença ou mística

Historicamente, desde meados do século XIX, a Psiquiatria tem desprezado e mesmo considerado patológicas as manifestações religiosas e espirituais. Freud considerou a religião como uma neurose obsessiva. A experiência mística também foi vista como um episódio psicótico e como uma psicose borderline. A codificação das doenças mentais aceitas faz 12 referências à religião, todas elas associadas à psicopatologia.
Outros autores, entretanto, apresentaram diferentes opiniões. em relação a experiência mística considerados uma manifestação de uma experiência psicologicamente saudável. Alguns autores sugeriram a importância de se buscarem critérios diferenciadores entre o que seriam experiências espirituais não patológicas e o que seriam transtornos mentais de conteúdo religioso. As contribuições desses autores para essa importante questão foram coletadas na literatura, por Adair de Menezes Júnior e colaborador, psicólogos Universidade Federal de Juiz de Fora procuraram, numa revisão do tema apresentar e discutir alguns critérios comuns que tenham perpassado pela maioria dessas investigações. Foram identificados nove critérios de maior concordância entre os pesquisadores que poderiam indicar uma adequada diferenciação entre experiências espirituais e transtornos psicóticos e dissociativos. São eles, em relação à experiência vivida: ausência de sofrimento psicológico, ausência de prejuízos sociais e ocupacionais, duração curta da experiência, atitude crítica (ter dúvidas sobre a realidade objetiva da vivência), compatibilidade com o grupo cultural ou religioso do paciente, ausência de comorbidades, controle sobre a experiência, crescimento pessoal ao longo do tempo e uma atitude de ajuda aos outros. A presença dessas condições sugere uma experiência espiritual não patológica, mas, por outro lado, há carência de estudos bem controlados testando esses critérios.
Esses critérios propostos na literatura, embora alcançando um consenso expressivo entre diferentes pesquisadores, ainda precisam ser testados empiricamente e direções metodológicas para as futuras pesquisas sobre esse tema são sugeridas.
Ao final, concluiu-se que, embora todos esses critérios apresentem certa coerência, ainda não foi feita até o presente nenhuma investigação extensiva que testasse esses critérios, e são colocadas algumas diretrizes metodológicas que alguns autores sugeriram para essa investigação.

Fonte: Rev. Psiquiatr. Clín.36(2) 2009

 

 

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