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Postura
Doença celíaca e baixa estatura
Os portadores de doença celíaca, enfermidade caracterizada pela intolerância permanente ao glúten, proteína presente no trigo, centeio, cevada e aveia.O Ministério da Saúde do Brasil estabeleceu recursos financeiros para a realização dos procedimentos de triagem e diagnóstico dessa doença no SUS. A estimativa é que 25 mil pessoas ao ano tenham acesso aos exames de detecção da doença, 48% a mais que em 2008, quando foram realizados 16.856 procedimentos. Hoje, a Federação de Associações de Celíacos do Brasil (Fenacelbra) informa ter 15 mil pacientes celíacos cadastrados. O novo protocolo estabelece critérios claros de diagnóstico. A doença celíaca caracteriza-se por sérias lesões na mucosa do intestino delgado, o que gera uma redução na absorção de nutrientes. Os sintomas intestinais incluem diarréia crônica ou prisão de ventre, inchaço, irritabilidade e pouco ganho de peso. Os pacientes podem apresentar atraso de crescimento e da puberdade, anemia provocada pela carência de ferro e osteoporose. Por outro lado, há casos em que a doença celíaca não apresenta manifestações clínicas.
De acordo com o documento, é importante a realização de exames de sangue. Embora seja um exame sensível e específico, a detecção do anticorpo antitransglutaminase não é definitiva para o diagnóstico da doença celíaca. A confirmação deve ser realizada por meio da observação de mudanças nas vilosidades da parede interna (mucosa) do intestino delgado. Para a análise, uma amostra do intestino delgado é coletada por meio de endoscopia com biópsia. Nesse procedimento, um instrumento flexível como uma sonda é inserido por meio da boca, passa pela garganta, pelo estômago e chega ao intestino delgado para se obter pequenas amostras de tecido.
Independentemente das manifestações clínicas, o tratamento da doença é feito com dieta sem glúten, isto é, exclusão de alimentos que contenham trigo, centeio, cevada e aveia. Segundo o protocolo, a dieta pode ocasionar mudanças não apenas na rotina dos celíacos, mas também de toda a sua família. Isso ocorre porque, devido ao caráter familiar da desordem, aproximadamente 10% dos parentes dos celíacos podem apresentar a mesma doença.
Outra orientação contida no protocolo é para que os médicos fiquem atentos a possíveis deficiências nutricionais decorrentes da má-absorção dos nutrientes, por exemplo, deficiências de ferro, ácido fólico, vitamina B12 e cálcio.
A baixa estatura tem diferentes origens e a sua ocorrência depende de múltiplos fatores: a programação genética, os aspectos endócrinos e a influência ambiental. Compreende-se por ambiente não apenas o físico, mas também o psicossocial, o econômico e o nutricional. Trata-se de um fenômeno complexo explicado, na maioria das vezes, por mecanismo multicausal.
As causas da baixa estatura são consideradas primárias quando existe uma anormalidade do potencial de crescimento ósseo, como nas doenças ósseas. Nas causas secundárias, o potencial de crescimento ósseo não está alterado, mas existem fatores que impedem sua expressão, entre os quais se incluem a desnutrição e as doenças sistêmicas.
A doença celíaca caracteriza-se pela intolerância permanente ao glúten em indivíduos geneticamente suscetíveis. O glúten promove reação inflamatória que agride as vilosidades do intestino delgado, resultando em má absorção dos nutrientes. O espectro de apresentação da doença é variado. Ocorre desde a forma clássica (diarreia crônica, dor e distensão abdominal, perda de peso, déficit de crescimento e sinais de desnutrição) até as formas atípicas e silenciosas, sem sintomas gastrintestinais.
A baixa estatura isolada, como forma de apresentação atípica da doença celíaca, vem sendo amplamente investigada. Pesquisas mostram frequência variada (de 1,7 a 59,1%) de acordo com os critérios de seleção adotados, do local de realização do estudo e da abordagem diagnóstica utilizada.
A triagem para doença celíaca em pacientes com baixa estatura não faz parte da rotina médica em nosso meio, dado que os exames têm custo elevado e nem sempre estão disponíveis na rede assistencial do Sistema Único de Saúde (SUS). No entanto, já é consenso que crianças e adolescentes portadores de baixa estatura devam ser submetidos à triagem sorológica para Doença Celíaca, recomendação que faz parte das diretrizes do Departamento de Gastroenterologia Pediátrica da Sociedade Brasileira de Pediatria e da Sociedade Norte Americana de Gastroenterologia Pediátrica e Nutrição.
Ana Carla L. N. Gueiros e colaboradores da Universidade Federal de Pernambuco e S.Paulo avaliaram a frequência da positividade dos marcadores sorológicos para doença celíaca em crianças e adolescentes com baixa estatura atendidos em serviços ambulatoriais conveniados ao SUS na cidade do Recife, utilizando-se o anticorpo anti-transglutaminase humana (AATGh) como teste de triagem. Foram avaliados 78 pacientes, sendo 41 (53%) do sexo feminino. O AATGh foi positivo em 3/78 (3,8%) dos pacientes. O AAE( anticorpo antiendomísio) foi positivo em um paciente, naquele com concentração mais elevada do AATGh. Considerando-se a positividade para os dois testes, a soropositividade foi de 1,3%.
A presença de marcador sorológico para doença celíaca em crianças e adolescentes portadoras de baixa-estatura e pertencentes a famílias de baixa-renda aponta para a necessidade de investigação sistemática da doença celíaca nesses pacientes




Fonte: Rev. Paul. Pediatr. 27(1) Mar. 2009

 

 

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