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Fisioterapia
Depressão e ansiedade em dor
A associação entre transtornos mentais e doenças físicas se deve tanto a fatores psicossociais quanto biológicos. Dentre os primeiros, ressaltam-se a frustração na realização de desejos e necessidades, agravamento de conflitos intrapsíquicos, inadequação dos mecanismos de defesa, perda do sentimento de
autoestima, alteração da imagem corporal e isolamento social.
A ruptura do ciclo sono-vigília e o uso de medicamentos e de procedimentos que afetam o sistema nervoso central figuram entre os fatores biológicos. O transtorno mental pode estar associado a problemas físicos, assim como alterações orgânicas podem resultar em disfunções psíquics.
Dois transtornos psiquiátricos se destacam ao se abordar a relação estabelecida entre os fatores orgânicos e psíquicos. A ansiedade, que frequentemente se associa a situações novas e desconhecidas, como é o caso do adoecimento, tem prevalência elevada em serviços de atenção primária: 13,8% na Espanha; 19,2% no Canadá e 21,8% nos EUA. A depressão pode ser confundida com a doença orgânica de base, uma vez que o sofrimento e a incapacidade funcional favorecem o surgimento de sintomas como insônia, fadiga e perda da libido, mesmo quando não se estabelece o diagnóstico de depressão. Os sintomas mais comuns da depressão em pacientes com doenças físicas são perda do interesse nas pessoas, pessimismo, indecisão, irritabilidade, insônia, baixa autoestima e desesperança.
O acometimento dos nervos periféricos se insere nesse contexto por envolver uma ampla variedade de sintomas, incluindo dor crônica e disfunções sensitivo-motoras. Em estudo
com pacientes portadores de neuropatia diabética, foi observado que 60,4% apresentava ansiedade e 50,6% depressão, sendo os sintomas proporcionais à intensidade da dor sofrida.
Sintomas depressivos, medidos pela Escala Hospitalar de Ansiedade
e Depressão, puderam ser associados à neuropatia.
A dor neuropática, presente em grande parte das neuropatias periféricas, pode ser fator causador ou agravante de sintomas psiquiátricos. A presença de dor aguda também pode desencadear uma reação ansiosa, levando a rebaixamento do limiar de dor. A comorbidade de transtornos psiquiátricos
com queixas de dor crônica é alta. Algum tipo de transtorno de humor foi identificado em 21,7% de uma amostra com pacientes apresentando dor crônica. As prevalências de dor em pacientes de depressão e de depressão em pacientes de dor são mais altas do que naquelas em que tais condições são
avaliadas isoladamente. Sítios múltiplos de dor também se mostraram associados a transtornos de humor e de ansiedade1
Outro fator de risco são as comorbidades como diabetes, doença cardíaca e câncer, que demonstraram ter um papel importante na incapacidade proporcionada pelas condições dolorosas crônicas, potencializando, assim, a sintomatologia depressiva e ansiosa. Não há definições na literatura quanto a qual transtorno insere maior risco, apesar de os transtornos de ansiedade parecerem estar mais fortemente associados a
queixas de dor do que os transtornos de humor. Israel S P Sousa Brasil e colaboradora da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, Salvador fazem um estudo para identificar a frequência de sintomas ansiosos e depressivos em 54 pacientes de baixa renda portadores de neuropatia periférica,
além de correlacionar a intensidade da dor sentida pelo paciente com a intensidade dos sintomas psiquiátricos.Foram utilizados como instrumentos de avaliação a Escala Hospitalar de Ansiedade e Depressão e a Escala Analógica Visual de Dor para avaliação da dor. A amostra foi composta por 54 pacientes.
Constatou-se uma frequência de 68,5% (n = 37) de sintomas ansiosos e 51,9% (n = 28) de sintomas depressivos. Dor intensa foi relatada por 57,4% dos pacientes. Houve correlação positiva entre a intensidade da dor e a de sintomas ansiosos e depressivos (p ≤ 0,05). Presença de cefaleia, trauma e história familiar de doença psiquiátrica também estava associada positivamente aos sintomas ansiosos e depressivos.Os resultados demonstram uma elevada frequência de sintomas ansiosos e depressivos em pacientes com neuropatia periférica, havendo uma correlação positiva com a gravidade da dor.

veja www.intramed.uol.com.br



Fonte: Rev Psiquiatr RS. 2009;31(1):24-31

 

 

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