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Fibromialgia
Dor no homem e na mulher
Nos últimos 20 anos, várias evidências surgiram a respeito das diferenças na resposta à dor entre os sexos, incluindo o limiar de dor e a tolerância aos tratamentos associados. Isso significa que o homem e a mulher sentem a dor de maneiras e intensidades diferentes. Cláudia C. Araújo Palmeira e colaboradores anestesistas do Centro do Estudo da Dor do Hospital das Clinicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo fazem uma revisão do tema. As diferenças exatas, assim como sua relevância, não estão claras. Essas diferenças na percepção de dor estão claramente documentadas na literatura. Demonstrou-se que as mulheres têm uma percepção maior da dor do que os homens . Demonstrou-se esse ponto em relação à dor clínica, à dor experimental em humanos e aos modelos animais .
De acordo com a International Association for the Study of Pain,que define a dor como uma experiência sensorial e emocional desagradável secundária ao dano tecidual corrente ou potencial ou descrito em relação a tal dano . Essa definição não diferencia entre dor, conforme a sentida por uma mulher, da dor sentida por um homem, permanecendo questões fundamentais abertas a varias interpretações.
As diferenças na percepção da dor entre os sexos são, frequentemente, de uma magnitude substancial, com efeitos moderados ou grandes. O conhecimento acerca das diferenças na morfologia e na função do sistema nervoso central (SNC) entre os sexos se torna mais detalhado a cada dia, tanto em humanos quanto em animais . Consideram-se diversos fatores responsáveis pelas diferenças na percepção entre os sexos e para a grande prevalência de dor crônica nas mulheres ; imagina-se que fatores biológicos, como, por exemplo, hormônios sexuais, representam um dos principais mecanismos que explicam essas diferenças na percepção da dor entre os sexos. Essa hipótese é apoiada por diversos achados em
estudos realizados com animais e humanos.
Comparadas aos homens de idade semelhantes, as mulheres correm maior risco de desordens relacionadas ao estresse, como, por exemplo, na dor da fibromialgia e dor crônica . A dor é um sintoma frequente em condições como cólon irritável, dor pélvica crônica e cistite intersticial e com frequência está presente na mulher sem uma doença demonstrável . Essas condições são altamente prevalentes nas mulheres, com uma taxa
de ocorrência de 3,8% na população feminina . As mulheres relatam dor mais intensa, episódios mais frequentes, mais difusos anatomicamente e mais duradouros do que os homens com doenças semelhantes, mesmo quando desordens específicas para o sexo, como dor urológica masculina
e ginecológica feminina, são excluídas da análise .



Fonte: Rev Bras Anestesiol Nov-Dez 2011; 61: 6: 814-828

 

 

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