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Osteoporose
Osteoporose após câncer de mama
Devido as campanhas de prevenção, novos métodos de diagnóstico precoce, e as poderosas medicações hoje existentes há um prolongamento da vida humana, mesmo com o diagnóstico que antes era tão temido: os tumores malignos que acometem o ser humano, na maioria dos canceres.
Desde a década de 70, a taxa de sobrevida dos pacientes de câncer de pulmão cresceu 70%. Se o diagnóstico for precoce, um homem vítima de um tumor de próstata tem mais de 95% de chance de ser curado. Uma mulher com câncer de mama, tem quase 90% de chances de cura. Até o início da década dos anos 80 os pesquisadores privilegiavam a descoberta de uma "medicação mágica e única" para exterminar o câncer. Depois passou-se a pesquisar uma vacina preventiva. Outra idéia parcialmente abandonada é procurar as pessoas geneticamente predispostas, e retirar o órgão que está em perigo (por exemplo, retirar a mama, em mulheres que tem a família com predisposição para ter esse tipo de câncer). O foco mudou, nesse novo século. A meta é transformar o câncer em uma doença crônica e administrável, como o diabetes, os distúrbios cardíacos e a própria AIDS. O câncer de mama é um dos tumores com as maiores taxas de recidiva. Metade das pacientes tratadas volta a desenvolver novos nódulos, por isso as pesquisas estão voltadas para novos medicamentos, novas formas de radioterapia e ou quimioterapia. Nesse aspecto, o tratamento crônico de um câncer primitivo da mama, que antes era só feito até o quinto ano após a negativação, passou a ser exigido que se faça praticamente durante o resto da vida da paciente. P.E. Goss e inúmeros colaboradores, cancerologistas, do Hospital Princess Margaret de Toronto, no Canadá, e de vários outros países, estudaram uma nova medicação em mulheres que estavam usando o tamoxifeno para se proteger da recidiva de câncer de mama, hormônio estrogênio dependentes. Segundo estudos internacionais, depois de 5 anos de prevenção, o tamoxifeno, já não protege de forma adequada. Os autores testaram uma nova medicação, letrozole, que faz a supressão da produção de estrogênio, nas mulheres que estavam tomando o tamoxifeno há 5 anos. Um total de 5187 mulheres que tiveram câncer de mama e estavam livres da moléstia há 4 anos, foram divididos em 2 grupos: Grupo A foi dado a medicação letrozole, e no outro Grupo B foi dado placebo, durante um seguimento médio de 2,4 anos. Nas pacientes do grupo A, 75 desenvolveram novas metástases, com um índice de sobrevivência, nesse período, de 93%, nas mulheres do grupo B, que tomaram placebo houve 132 casos de recidivas, com índice de sobrevivência de 87%, essa diferença tem significado estatístico (P< ou =0,001). No grupo B, 42 faleceram nesse período, comparadas a 31 do grupo A, (P=0,25). No grupo que tomou a medicação surgiram menos ondas de calor, menos dores articulares, musculares e sintomas de artrite, mas, surgiram em maior número de vezes sangramentos vaginais em comparação ao grupo que não tomou a medicação. Essa medicação nova protege na recidiva do câncer, mas, causa maior
número de casos de osteoporose (5,8%)
comparado a 4,5% do grupo placebo (P=0.07); o índice de fraturas foram similares nos 2 grupos. Em vista da maior proteção oferecida pelo letrozole, a comissão ética resolveu suspender a comparação oferecendo medicação para os dois grupos. O letrozole já existe à venda no Brasil.
Fonte: N Engl J Med. 2003 Nov 6;349(19):1793-802

 

 

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