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Psicologia
Analfabetismo e controle da artrite
Em Dezembro de 2003, os técnicos do Ministério da Educação, de acordo com dados da Pnad (Pesquisa Nacional por amostra de Domicílios) de 2001 do IBGE, declararam que o Brasil tem 15 milhões de analfabetos com mais de 15 anos de idade. O lamentável é que desse total de analfabetos, muitos já freqüentaram as escolas e não sabem nem ler ou escrever um recado simples o que eleva a taxa de analfabetismo brasileira de 8% para 12.4%, ou seja, se estas pessoas tivessem obtido um bom aproveitamento escolar o Brasil teria, no mínimo, 5 milhões a menos de analfabetos. Os dados do censo de 2000 mostram que, em 74% dos casos, os analfabetos frequentaram a escola por no mínimo um ano, mas, a abandonaram para trabalhar e sustentar a família.
Por outro lado um total de 37% dos trabalhadores não precisa da leitura para executar as suas funções no trabalho, fazendo com que os mesmos não aprimorem seus conhecimentos com a alfabetização em seu cotidiano. Em termos de saúde essas pessoas também têm dificuldades de entender as medidas preventivas e acompanhar os horários da medicação, dietas e cuidados gerais de saúde. Isso dificulta a difusão dos cuidados de higiene, vacinações, saneamento básico, etc. Se essas pessoas analfabetas são portadoras de uma doença crônica, as dificuldades aumentam, para explicar os cuidados rotineiros e as variações da sintomatologia e diminuição da medicação.
M. Brekke e colaboradores, reumatologistas, da Universidade de Oslo, Noruega, fizeram um acompanhamento, durante 5 anos, de pacientes com artrite reumatóide que nasceram em 1926 ou mais tarde e que foram submetidos a um questionário em 1994 e depois em 1999 em que os autores avaliaram por vários questionários qual era o nível de dor, o nível mental, o nível de compreensão, de auto cuidado que variou nesse grupo quando tinha em média 68 anos e depois aos 73 anos de idade. De um modo geral nesse período de 5 anos houve uma piora no nível de auto-cuidado com a doença, cujos índices numéricos de piora estavam todos ligados ao estado geral da saúde, mas, principalmente ao bom estado mental, e esse por sua vez estava associado ao nível educacional. Os autores concluíram que as pessoas de baixo nível de escolaridade têm dificuldade de expressar os seus sintomas de dor relacionados a artrite e com o passar dos anos, têm o autocontrole das doenças diminuído.
Fonte: Arthritis Rheum. 2003 Jun 15;49(3):342-8

 

 

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