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Musicoterapia
Ruído na UTI do hospital
Todo mundo sabe que hospital não é lugar de barulho. Uma das reclamações mais freqüentes dos pacientes da UTI é o barulho. O problema é que quando o paciente está lá ele geralmente não tem condições de reclamar, e acaba manifestando esse estresse nos batimentos cardíacos, dores de cabeça e outras queixas. UTIs barulhentas, são muito comuns, tanto em países em desenvolvimento, como em países subdesenvolvidos. A dissertação de mestrado da médica otorrinolaringologista Raquel Paganini Pereira, na Universidade Federal de São Paulo analisou os níveis de ruído em uma UTI na cidade de São Paulo. A tese tem o título ?Exposição sonora ambiental em uma unidade de terapia intensiva geral?. Utilizando um aparelho apropriado, foram feitas medições a cada 27 segundos durante 6 mil minutos nos períodos da manhã, tarde e noite. As aferições ocorreram, sem o conhecimento dos funcionários do local.
Os resultados apontam um nível de ruído médio de 65,36 dB, freqüência que imita as características receptivas do ouvido humano, quando o recomendado pela ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), para um ambiente hospitalar ser considerado tranqüilo fica entre 35 e 45 dB. Para a física acústica, cada aumento de 10 decibéis equivale a dobrar a escala sonora. O aumento de ruído até 20 decibéis constatado é um nível realmente muito alto, a UTI se assemelha a um escritório pouco silencioso. Para os pacientes internados, que já enfrentam problemas sérios de saúde, os efeitos desse ambiente são bastante nocivos. Dados presentes na pesquisa afirmam que o ruído tem a propriedade de aumentar a sensibilidade à dor, fazendo com que esses doentes precisem de mais analgesia.
Além disso, os pacientes têm mais dificuldade de dormir, ficam estressados e acabam passando mais tempo internados, porque sua recuperação se torna lenta. Com isso, os custos de cada paciente aumentam. Em casos mais graves, os doentes perdem a noção de tempo, de espaço e têm delírios. O ruído hospitalar é um problema de saúde pública que deve ser reparado o quanto antes, sob pena de causar sérios prejuízos fisiológicos e psicológicos aos pacientes.
As conversas entre médicos, enfermeiros e familiares dos doentes são a principal causa de ruído, além dos alarmes presentes em telefones, ventiladores e outros aparelhos. Há necessidade de aperfeiçoar os aparelhos, uma centralização dos alarmes e um isolamento entre as macas. Para o médico, deve ser lembrado que as pessoas ali internadas estão em recuperação, que o silêncio e o repouso são fundamentais para que isso aconteça. Além disso, o próprio ambiente pesado do local, a visão de outros doentes, muitas vezes em estado grave ou em situações de emergência, como uma parada cardíaca, o medo de morrer e a luminosidade constante já tornam o lugar bastante estressante para os pacientes, e também para os funcionários. D.I.Shin e colaboradores, engenheiros biomédicos da Universidade de Ulsan da Coréia do Sul, tentaram diminuir os ruídos fazendo um controle, em tempo real através de soft de computador que faz o controle com menos ruídos através da Internet. Esse novo sistema, que ainda esta em teste, ainda tem a facilidade que pode ser acessado pelo médico mesmo fora do hospital. Os autores apresentaram esse soft, para gerenciar uma UTI infantil.

Fonte: Int J Med Inf. 2003 Sep;71(2-3):151-6

 

 

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