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Educação Física
Morte súbita nos esportes
Segundo o presidente da Fundação de Cardiologia de Portugal, o jogador Fehér, do Benfica, faleceu dentro do gramado, porque faltou o choque
elétrico de um desfibrilador e no tempo certo: até 7 minutos do coração parado (a ambulância conseguiu recolher a vítima após 9´09", porque
estava voltada de traseira para o gramado e as placas publicitárias obstruíam a passagem). O choque elétrico é um fator fundamental para
reanimar a parada cardíaca, que não pode passar desses 7 minutos. É consenso mundial, entre os especialistas em Medicina Esportiva, que
nem sempre a bateria de exames a que se submetem os atletas detecta problemas que podem provocar uma parada cardíaca. E nem sempre essa parada decorre de problema preexistente. O que se sabe é que o desfibrilador é o único e último recurso seguro para a reanimação quando da parada cardíaca, quando a massagem cardíaca e a respiração boca a boca falham.
Em vários países do mundo é obrigatória a presença de desfibriladores automáticos portáteis em locais de grande afluxo humano (como estádios, ginásios, salas de espetáculos, shoppings, indústrias, aeroportos, etc...), ou onde uma equipe médica adequada no atendimento diste mais de 10 minutos. Os EUA obrigarão todas as aeronaves de vôos internacionais, a disporem desses desfibriladores a partir do próximo mês de Abril. Os aparelhos podem ser usados a qualquer momento sem depender da presença de médicos, qualquer pessoa leiga, especialmente bombeiros, seguranças, aeromoças, policiais, professores, esportistas em geral devem ser treinados a utilizá-los frente às paradas cardíacas.
A Sociedade Brasileira de Cardiologia mantém cursos de treinamentos para leigos, licenciados pela American Heart Association que homologa
mundialmente os desfibriladores. Graças a isso, centenas de pessoas com as mais diversas formações são treinadas mensalmente, para
utilizar corretamente o desfibrilador e preservar a vida pelo tempo possível, até o atendimento médico adequado. Grupos de socorristas
leigos voluntários formam-se continuamente e crescem a cada dia.
D.Corrado e colaboradores, cardiologistas da Universidade de Padua (Itália), estudaram a incidência de morte súbita em adolescentes e adultos de 12 a 35 anos, no período de 1979 a 1999, na região de Veneto. A população total de adolescentes e jovens adultos nessa
região é de 1.386.600 (692.100 homens e 694.500 mulheres). Sendo que 112.790 (90.690 homens e 22.100 mulheres) são atletas competitivos. Nesses 21 anos foram registrados 300 casos de morte súbita, o que resulta na incidência de 1 caso para 100.000 pessoas por ano. Dos 300 casos, 55
mortes ocorreram entre atletas (2,3 casos por 100.000 praticantes esportivos, por ano), e 245 casos entre não atletas (0,9 casos em 100.000 por ano), com um risco relativo (RR) médio estimado em 2,5 (duas vezes e meia maior de surgir em atletas ou não atletas, num intervalo de confiança de 95%, que pode variar de 1,8 a 3,4 vezes p<0,0001). Esse RR, entre os atletas e não atletas homens, é de 1,95 vezes (IC varia de 1,3 a 2,6; p=0,0001) e para as mulheres é de 2,00 vezes (IC de 0,6 a 4,9; p=0,15). O alto risco de morte súbita entre atletas está relacionado a presença de doenças cardiovasculares anteriores, tais como: anomalias congênita da artéria coronariana (RR 79;
p<0,0001), cardiomiopatia arritmogênica ventricular direita (RR 5,4; p<0,0001), doença da artéria coronariana prematura (RR 2,6,;
p=0,008). O esporte por si só, não é a causa, mas piora o prognóstico de morte nos atletas competitivos. Todos os atletas que têm arritmia na
prática esportiva podem ter uma morte súbita.

Fonte: J Am Coll Cardiol. 2003 Dec 3;42(11):1959-63

 

 

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