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Psicologia
Pânico e dores
A síndrome do pânico é um distúrbio psicológico, uma espécie de ansiedade, cada vez mais diagnosticado nos consultórios médicos. Pelo menos 1,6% dos adultos (dados da população americana, que se fossem transportados para a população brasileira, seriam 180.000 pessoas)
terá distúrbio do pânico, alguma vez na vida. É um tipo de ansiedade, um medo súbito, sem fatores desencadeantes que pode ser incapacitante,
principalmente, se estiver associado a uma possível dor, nas articulações, na coluna ou no peito. A pessoa pode desenvolver medos irracionais (chamadas fobias) de várias situações e começar a evitá-las. O nível de ansiedade e o medo de uma nova crise, aumenta de tal forma que a pessoa pode se tornar incapaz de sair de casa. Neste caso existe o distúrbio do pânico com agorafobia (medo de lugar aberto). O distúrbio do pânico tende a continuar por meses ou anos. Embora, tenha início no começo da vida adulta, os sintomas podem aparecer em qualquer idade. Pode haver períodos de melhora espontânea do distúrbio, mas, em geral, é importante que a pessoa receba um tratamento específico. De acordo com uma das teorias, o sistema e "alerta" normal do organismo, é um conjunto de mecanismos físicos e mentais, permitindo que
uma pessoa reaja a uma ameaça de um perigo, o qual tende a ser desencadeado na crise de pânico, sem haver perigo iminente. Os especialistas não sabem exatamente por que isto ocorre em algumas famílias, e isto pode significar que há uma participação importante de um fator hereditário
(genético). Freqüentemente, a associação de psicoterapia e medicamentos produz bons
resultados e a melhora, em geral, ocorre em 6 a 8 semanas para 70 a 90% das pessoas. A. Neumeister e colaboradores, neurocientistas, do Instituto Nacional para Saúde Mental, em Maryland (EUA), estudaram a síndrome do pânico, através da Tomografia de Emissão de Pósitrons (PET, em inglês, aparelho que já existe no Brasil, e permite ver o cérebro em atividade, colorindo as partes em atividade). Os autores estudaram os cérebros de 16 pacientes com síndrome do pânico, que não tomaram medicamentos, grupo A, e de 15 pessoas saudáveis, grupo B. Pesquisas anteriores mostraram que camundongos, nascidos sem o receptor de serotonina batizado com a sigla 5HT1A
(serotonin type 1A receptor binding, em inglês) sofriam de grande ansiedade na vida adulta. Para avaliar os níveis de 5HT1A, os autores utilizaram um composto radioativo de fluoreto, chamado de FCWAY, que se liga a esse receptor. Comparando o PET, do grupo A, em relação ao do grupo B, os que sofriam de pânico possuíam até um terço menos receptores 5HT1A, na região central do cérebro. Outros trabalhos científicos mostraram que pacientes com depressão apresentavam uma redução de 10% dos mesmos receptores. Essa é a razão porque os medicamentos anti-depressivos são usados na síndrome do pânico, com bons resultados. Esses dados são preliminares, mas podem ser que o pânico seja causado pela
falta de um receptor neuroquímico no cérebro dos pacientes, se for confirmado será fácil encontrar um medicamento adequado.
Fonte: J Neurosci. 2004 Jan 21; 24(3): 589-91

 

 

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