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Coluna Vertebral
Dores no Pós-Operatório: Novo Enfoque
Há uma quantidade de pacientes que são submetidos a uma cirurgia de hérnia de disco (não importa a técnica cirúrgica empregada, nem se foi realizada pelo ortopedista ou neuro-cirurgião) que com um período de tempo variável começam a se queixar de dores na região. A dúvida é se houve falha na cirurgia, se surgiu uma nova hérnia ou se surgiu uma ?fibrose? (que é uma denominação indevida, sem base concreta). Os psicólogos também estudaram o assunto e concluíram que essas dores pós-cirúrgicas estão relacionadas à algumas variações psicossociais, tais como: personalidade, ansiedade, e adaptações comportamentais, que esses pacientes sofreram, anteriormente à cirurgia, em relação à dor lombar(isso é chamado em inglês de coping behaviours). Em resumo, significa que o paciente tem baixo comprometimento para resolver a sua dor lombar e é por isso que ele não quer aprender postura correta (escola de postura), não quer medicamentos (somente produtos naturais), não quer fisioterapia, nem exercícios, nem calmantes, etc... Não querem desempenhar um papel ativo em ?viver bem com a coluna que têm?, querem um remédio mágico e acreditam que a cirurgia é uma mágica, em que internam-se com dor no hospital e saem sem dor para o resto da vida. Esse tipo de paciente existe na cirurgia ginecológica e na cirurgia cardíaca, onde o ato cirúrgico é perfeito, mas o paciente, depois de um breve período, se queixa de dores.
K. Grout, psiquiatra e vários neuro-cirurgiões da Erasmus University de Roterdam (Holanda) estudaram 126 pacientes consecutivos que foram submetidos à cirurgia na lombar, por um mesmo cirurgião. A amostra era de 68 homens, 58 mulheres, com idade variando de 20 a 77 anos (idade média=44 anos). Os diagnósticos das operações foram: hérnia de disco lombar em 106 pacientes (idade média desse grupo 41 anos); estenose do canal em 20 pacientes (idade média de 59 anos). A cirurgia de hérnia de disco foi feita sem laminectomia, mas na resolução da estenose do canal foi feita a remoção óssea. Antes da operação, os pacientes foram submetidos a um intenso interrogatório, dando ênfase a quatro itens com medições psicológicas específicas:
1-Ansiedade, 2- Fadiga, 3- Dor, 4- Adaptações comportamentais (coping). Tudo foi repetido no 3º dia do pós operatório. Aplicando várias técnicas estatísticas foi possível identificar que a ansiedade pré-operatória varia com a intensidade da dor na perna. Ambos os índices podem indicar uma maior ansiedade pós-operatória e consequentemente maior queixa de dores. Mas, por outro lado, examinando todos os pacientes com dores pós operatórias os dois fatores mais associados foram a fadiga e a ansiedade, independente da dor, da idade, sexo, tipo de operação (com ou sem remoção do osso), ou duração da cirurgia, etc. A diferença fundamental é que o nível da queixa específica da dor na perna deixou de se relacionar, de uma maneira direta e proporcional, com a intensidade do nível de ansiedade e fadiga, mostrando que, realmente, esses pacientes têm um componente psicológico na dor. A ansiedade devido a cirurgia fica mais intensa porque a somatização na dor pode desaparecer, mas o receio de não ser ?verdade? (que a dor foi embora para sempre), dissocia a dor com o grau da ansiedade. (Pain 1997;69:19-25.)
O. Hägg e colaboradores, do Swedish Lumbar Spine Study Group, numa população de 264 pacientes divididos em 2 grupos: Grupo A operados da coluna e Grupo B submetidos a um tratamento clínico, realizaram em ambos os grupos uma grande bateria de testes clínicos, radiológicos e questionários psicológicos, inclusive do desenho da figura da dor antes de se submeterem a um dos tratamentos: cirúrgico (a cirurgia indicada foi a fusão lombar) e não cirúrgico. Todos foram seguidos durante 2 anos. Usando a técnica estatística da regressão univariada e múltipla variada os autores concluem que os pacientes que têm baixo neurotismo (poucos fatores emocionais evidentes em seus exames) e baixa altura dos discos na radiografia têm
Fonte: Eur Spine J (2003) 12: 22-33

 

 

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