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Psicologia
Álcool, os anúncios e as crianças
Existem alguns fatores de risco à saúde que poderiam ser evitados, e, com isso, diminuíriam o número de pessoas doentes e de óbitos. O álcool é o primeiro fator desses fatores de risco à saúde seguido do cigarro, do sexo inseguro e da falta de saneamento básico. Os especialistas defendem, no caso do álcool e do fumo, fazer restrições na propaganda desses produtos e aumentar a taxação de impostos. Segundo o Ministério de Saúde do Brasil, 70% a 80% da população faz uso da bebida com álcool, sendo que 30% já tem problemas de saúde devidas ao álcool e 10%, já são problemas graves, considerados como dependentes e viciados.
O relatório sobre uso de drogas, divulgado pela Organização Mundial da Saúde, em Brasília, em 20 de março de 2004, mostrou que, apesar de o consumo por adulto/ano de álcool puro, ser menor, no Brasil que nos EUA (8,6 litros contra 9,7 litros dos americanos), aqui o padrão é abusivo e/ou nocivo. Isso significa que as pessoas que bebem, mesmo socialmente, às vezes, acabam causando danos sociais. Para medir isso, a OMS cruzou dados sobre dependência de álcool, acidentes de trânsito, violência doméstica, consumo excessivo nos finais de semana. Chegou a um tipo de indicador que vai do número um (consumo menos danoso) a quatro (consumo muito danoso e perigoso). Acima do número três dessa escala da OMS, o consumo é considerado muito nocivo. O Brasil ficou com índice 3,1, enquanto os EUA, dois.
O Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas, da Universidade Federal de São Paulo, que é referência em estudos sobre o assunto, mostra que a maior parte dos cadáveres do IML (Instituto Médico Legal) de São Paulo, que resultaram de mortes violentas, acidentes e homicídios tinha álcool no sangue. Um trabalho publicado em 2002 pelo Centro mostrou que 90% das 726.429 internações pelo uso de psicotrópicos entre 1988 e 1999 foram em razão do álcool. Não há dados sobre o custo social do álcool, desses casos para o SUS e para os convênios de Saúde privados. O Ministério da Saúde trabalha para tentar convencer o governo e o próprio presidente Lula, assim como, as pessoas de projeção política e social, como artistas, quem devem policiar-se para não beber e fumar em público. A indústria do cigarro é tida como inimiga, mas, a do álcool não. O álcool, bebido socialmente está inserido na cultura, é tolerado, inclusive para crianças. Marcelo B.Tavares e colaboradores, psiquiatras, da Faculdade de Medicina, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul constataram que os filhos únicos têm menos freqüentemente intoxicação alcoólica (39%), comparativamente aos primogênitos (68,9%; p=0,03) e adolescentes com irmãos (72,3%; p<0,001). Filhos únicos obtiveram melhor desempenho escolar e social do que os filhos com irmãos (p=0,03).
Fonte: Rev Bras Psiquiatr. 2004 Mar;26(1):17-23

 

 

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