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Psicologia
Benzodiazepínicos: sono e dor
No mundo moderno e na vida de relacionamento entre as pessoas e seu meio ambiente, familiar e de trabalho existe um estado de competição constante, criando o estado de ansiedade que é uma emoção universalmente experimentada pelo ser humano. A ansiedade pode ser considerada "doença", e, é alvo de intervenção médica, quando é desproporcional às circunstâncias e causas aparentes. Por exemplo: os diversos medos de câncer, do escuro, de assaltos, etc. Essa ansiedade quando fica muito persistente interfere significativamente com as atividades do indivíduo e acaba gerando um sofrimento intolerável, que é quando o medo se transforma em pânico. A medicina tem uma série de medicamentos conhecidos como benzodiazepínicos, que são calmantes relativamente seguros, a não ser quando ingeridos em combinação com o álcool. Essas substâncias são dotadas de propriedades ansiolíticas, sedativas, anticonvulsivantes e miorrelaxantes. Entretanto, ainda não é possível demonstrar nenhuma diferença significativa entre a grande quantidade de benzodiazepínicos existentes no mercado, em relação a sua atividade hipnótica (de induzir ao sono) e ansiolítica (reduzir a ansiedade). As diferenças entre eles residem basicamente nas doses recomendadas, e nas suas características farmacocinéticas (velocidade de absorção pelo organismo, que é diferente em cada medicamento, e também na forma como são eliminados do organismo) que condicionam o início e a duração de seus efeitos. Dito de outra forma, dependendo da dosagem o benzodiazepínico induz o sono ou reduz a ansiedade. Daí surge a dúvida, se o indivíduo ansioso melhorando o sono fica mais calmo e relaxado? O fundamental para o tratamento da ansiedade, é que o benzodiazepínico tenha a sua indicação precisa, evitando, desta maneira, os riscos de dependência física e/ou psicológica.
F. Stiefel e colaborador, do Hospital da Universidade de Lausanne, na Suíça, afirmam que existe uma interação circular entre a dor crônica e a insônia das pessoas. A insônia aumenta a sensibilidade às dores, e as dores crônicas causam insônia. Outro componente que se associa a essa interdependência é que surge a depressão, e a ansiedade com a dor crônica, pois a pessoa fica com a sensação que a dor não vai melhorar nunca, e por isso não vai se livrar da dor. Porém o mesmo acontece com a insônia, pois a pessoa fica com a sensação que nunca mais vai melhorar da insônia, e dormir uma noite inteira. Isso corresponde a um dos medos acima referidos. A boa conduta é começar no paciente com dores crônicas com pequena intensidade, receitar um benzodiazepínico de pequena intensidade para induzir o sono, e impedir a instalação desse círculo vicioso dor-insônia-ansiedade-depressão. Não se deve esquecer de procurar outros fatores que possam influir sobre a qualidade de sono como tipo de colchão, ambiente calmo, evitar café, chá, ler na cama, ver noticiário ou filme na TV, etc., etc... que podem piorar a qualidade de sono. Outro detalhe é realizar durante o dia exercícios físicos, mas, não antes de dormir.
Fonte: CNS Drugs. 2004;18(5):285-96

 

 

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