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Reumatismo
Hepatite C e Artrite
Existem inúmeros vírus que causam uma inflamação no fígado chamada de hepatite, agravar numa cirrose (fibrose do fígado, que conforme o grau de gravidade, é incompatível com a vida). O álcool também causa uma cirose por mecanismo tóxico. Existe a hepatite A,B,C, e várias outras.
O vírus da hepatite C, que é transmitido pelo sangue, só foi identificado em 1992. Pessoas que já fizeram transfusão de sangue antes desse ano, ou tomaram injeção no tempo em que a seringa não era descartável, podem ter sido contaminada.
Diferentemente do HIV da AIDS, o vírus da hepatite C chega a sobreviver 72 horas fora do corpo, e em minúsculas quantidades de sangue. Por isso os consultórios de dentistas e ambientes hospitalares são locais de risco de infecção. No Brasil, o Ministério da Saúde estima que existam 3 milhões de pessoas infectadas, 140 mil delas estão na capital paulista. Desse total, quase 80% não sabem da infecção, e entre os que descobriram, mais de 40% não imaginam como é possível saber que contraíram o vírus. A hepatite C pode demorar de 20 a 30 anos para se manifestar. E, quando isso ocorre, a maioria já está com fibrose (ou cirrose) em estágio avançado. Quando ocorre esse tipo de cirrose pode evoluir para o câncer de fígado. Nesse estágio da evolução do problema, antes do aparecimento do câncer, de tratamento difícil, para muitos, só restará a fila do transplante de fígado, na qual se sabe que mais de 40% vão morrer antes de conseguir um órgão. A gravidade da infecção do vírus da hepatite C, está sendo tratado pelo Ministério da Saúde como um caso de Saúde Pública. São distribuídos folhetos nos estabelecimentos de beleza, e em dentistas que trazem informações sobre as hepatites B e C, dizem como se pega, lista os cuidados e relacionam os serviços que podem fazer o diagnóstico na cidade. Com base em dados do Pro-Aim -Programa da Prefeitura de São Paulo, que monitora as causas de morte, de 1996 a 2003, as mortes por hepatites virais, na faixa de 15 a 65 anos, ocupam o terceiro lugar, depois das doenças do coração e das mortes violentas. A porcentagem de infectados passa de 1,42%, na população paulistana em geral, para 3,5%, entre aqueles acima de 60 anos. Cerca de 80% dessas infecções, sobretudo entre os mais velhos, foram causadas por transfusões. Tratamento da hepatite C é feito com Interferon, associado à Ribavirina, a medicação oferecida pelo Estado. Agora surgiu o Interferon Peguilado, elevando a R$ 5.000,00 o custo mensal do tratamento, que se limitava aos portadores da hepatite C do genótipo 1. Hoje, a Justiça também garante essa medicação a portadores do genótipo 2 e 3.A cura com esse medicamento novo chega a 40%. Sem a medicação, os pacientes de Aids morrem pela hepatite C. K.Masuko-Hongo e colaboradores, da Universidade Kanagawa no Japão, afirmam que não existem mais dúvidas que três tipos de vírus podem dar dores do tipo artrite, o vírus denominado linfotrófico humano do tipo I ligado as células T (designado por HTLV-I em inglês), vírus da hepatite C e o da Rubéola. Os autores chamam a atenção para as algumas manifestações extrahepáticas do vírus da hepatite C, vírus que está associada com a síndrome de Sjogren (que é o olho seco, que ocorre com pacientes com artrite reumatóide) e uma miosite inflamatória (dores musculares); que ocorrem na doença reumática chamada de dermatomiosite ou só miosite. Também aventa-se a hipótese baseada na incidência do vírus da AIDS na África (que vem acompanhado com o vírus da hepatite C), podem aumentar a incidência da artrite psoriática e a espondilite ancilante.

Fonte: Best Pract Res Clin Rheumatol. 2003 Apr;17(2):309-18

 

 

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