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Osteoporose
Doença celíaca e osso de jovens
A doença celíaca resulta de um estado contínuo de resposta imunológica anormal ao glúten, uma proteína do trigo. O centeio e a cevada têm na
sua composição estruturas protéicas semelhantes, que também causam doença. A aveia o seu efeito nos pacientes sensíveis ao glúten é discutível.
Doença celíaca surge na infância, com muita disenteria e cólicas intestinais; entretanto, com o maior conhecimento da doença e de suas formas atípicas de apresentação, adultos acima de 60 anos já são 27% dos casos diagnosticados. Fatores genéticos estão implicados, pois ocorrem em cerca de 10% em parentes de primeiro grau, em 75% em gêmeos e 30% de irmãos. Outras suspeitas: deficiência enzimática, para a digestão do glúten e uma possível infecção viral sensibilizadora. A mucosa do trato gastrointestinal é a área aonde se dá a reação imunológica. Na infância, surgem diarréia, esteatorréia (gordura nas fezes),
flatulência, dor abdominal, aumento de volume abdominal e déficit de crescimento. Na adolescência, o quadro tende a melhorar espontaneamente, para mais tarde, ao redor da terceira e quarta década de vida, voltarem
os sintomas. A diarréia leva à deficiência de ferro e ácido fólico, déficit de B12 e de vitaminas A e D. Surgem úlceras aftóides (aftas) recorrentes da
cavidade oral, surge a anemia, osteopenia, dor óssea e fraturas patológicas, podem ser fruto de um déficit crônico na absorção da vitamina D, do cálcio e do hiperparatireoidismo secundário resultante. Alterações bioquímicas como hipocalemia (baixa de sódio, no sangue),
hipocalcemia (baixa de cálcio no sangue), acidose metabólica, hipoglicemia (baixa de açúcar) podem estar presentes. O déficit nutricional também é responsável pela desorganização do sistema
endócrino, resultando em amenorréia (falta de menstruações), infertilidade, impotência e, por vezes, panhipopituitarismo (deficiência de todos os hormônios da hipófise, também chamada de glândula pituitária). V.L.Sdepanian e colaboradores pediatras e gastroenterologistas da Universidade Federal de São Paulo, compararam a massa óssea de dois grupos de pacientes. No grupo A, 30 pacientes (17 crianças e 13 adolescentes) com doença celíaca assintomáticos, que estavam numa dieta livre de glúten, e no grupo B, com 23 participantes sadios, da mesma idade. Todos fizeram densitometria da coluna lombar. O peso e altura média dos adolescentes do grupo A, era menor do que os do grupo B (peso: 45,8 +/- 10,5 kg versus 55,3 +/- 10,5 kg, (P = 0,037); altura: 153,0 +/- 11,0 cm versus 167 +/-12,0 cm, (P = 0,007). A Densidade Mineral Óssea (BMD) adolescentes do grupo A estava significativamente menor que o grupo B (0,917 +/- 0,116 g/cm2 versus 1.060 +/- 0,158 g/cm2, ( P = 0,015), mas não foi encontrada nenhuma diferença significativa entre as crianças dos dois grupos (P = 0,595). No modelo estatístico de regressão múltipla os autores constataram que a massa óssea em relação a altura é menor nos adolescentes do grupo A, do
que no grupo B. A proporção de adolescentes que começaram a dieta sem glutem após os 2 anos de idade, era maior do que as crianças do grupo A (P<0,001). As dietas dos pacientes com doença celíaca do grupo A tinham deficiências em altas porcentagens de magnésio, cálcio, e fósforo, mas o nível no soro de cálcio ionizado, o total e o paratormônio estavam normais.
Fonte: J Pediatr Gastroenterol Nutr. 2003 Nov;37(5):571-6

 

 

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