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Coluna Vertebral
Cirurgia na Espondilite Anquilosante ou Ancilosante
A espondilite anquilosante (E.A.) é uma afeção reumática, que agride as estruturas de toda a coluna, incluindo todas as suas regiões. Em alguns casos surgem deformidades por extrema flexão da região cérvico-torácica, impedindo, praticamente, o paciente de andar, pois o queixo fica quase encostado no peito. Essa posição, fixa, impede o paciente de trabalhar e a sua qualidade de vida fica deteriorada. O único tratamento desses pacientes é a osteotomia da coluna cervical, realizada pela primeira vez em 1958. M. Mc. Mister, ortopedista do Hospital Princess Margareth de Edimburg (Escócia), relata a realização dessa osteotomia de extensão, nos níveis C7-T1, em 15 pacientes reunidos durante 9 anos seguidos. Eram 13 homens e 2 mulheres, com idades variando de 35 a 67 anos (idade média de 48 anos). A Espondilite Anquilosante estava presente de 9 a 35 anos, com um tempo médio de 16 anos, e que levou as pessoas afetadas à essa posição impossível de esticar o pescoço. Em três pacientes essa deformidade instalou-se extremamente rápido, isto é, em apenas 6 meses, pois foi seguida de uma queda e fratura vertebral. Em dois pacientes desenvolveu-se uma pseudo-artrose, e portanto não houve consolidação; somente uma fratura se consolidou, mas deixou a cervical com acentuada posição viciosa. Desses 15 pacientes, três outros tinham deformidades na bacia e coxo-femural, durante 3 anos submeteram-se a uma correção (prótese na coxo-femural e realinhamento muscular). Outros dois pacientes, com intensa deformidade na junção torácico-lombar, fizeram uma osteotomia na lombar conseguindo um aumento de 35 e 40 graus, insuficientes para resolver o problema na cervical. Tais pacientes tinham problemas cardíacos. O ato cirúrgico foi antecedido por tração halo-cervical com um colete adequado. Os pacientes muito obesos foram excluídos, por dificuldades de colocações do halo, anestesia e pós-operatório.
Foi feita a osteotomia do processo espinhoso de C7. A raiz nervosa do oitavo para cervical foi exposta atrás do orifício de conjugação, até a
remoção das articulações facetárias posteriores, e também os pedículos C6-T1 que estavam apertando os nervos. Somente em três, dos últimos casos, foi colocada uma placa estabilizadora, com amarras tipo Luque. Nos outros 12 pacientes não houve fixação e o osso removido da osteotomia era colocado lateralmente, como enxerto para melhor fixação. Durante a operação havia uma constante monitoração neurológica pelos potenciais evocados. Numa evolução média de 18 meses houve uma correção de 54 graus.
Em dois casos onde não houve fixação, ocorreram nesse período, a perda de 20 graus da correção, mas consolidou em posição adequada para
melhorar a visão. Um caso melhorou na cervical, mas desenvolveu grave deformidade na torácico-lombar, obrigando a uma outra operação.
Complicações: um paciente ficou quadri-parético, uma semana após a cirurgia; dois tiveram uma paralisia ao nível da C8, que foi recuperada.
Em quatro operados surgiram uma subluxação, que em dois evoluíram para uma pseudo-artrose, o que obrigaram a uma fusão intervertebral anterior.(J Bone Joint Surg Br. 1997 Mar;79(2):197-203).
H. El Saghir H e colaboradores, ortopedistas do Hospital Bad Berka, Alemanha, afirmaram que a cirurgia na espondilite é insatisfatória, por
isso tanto os ortopedistas como pacientes tem receio de realizá-la, embora as técnicas de correção com novos aparelhos corretivos de
instrumentação tem surgido. Em 50 pacientes com deformidades nas regiões da toracolombar e lombar, e 34 com deformidades na cervical sofreram osteotomias, com excelentes resultados em relação ao restabelecimento do eixo horizontal da visão, que foi obtidos em todos os casos. Dos 7 casos que tiveram deterioração neurológica no pós-operatório, 5 se recuperaram completamente.
Fonte: Clin Exp Rheumatol. 2002 Nov-Dec;20(6 Suppl 28):S101-5

 

 

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