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Ortopedia
Acidentes domésticos em crianças
Faz parte da missão do pediatra alertar a família sobre os riscos que corre a criança no lar, ou mesmo fora dele (mas sobretudo no lar, quando a criança é pequena). Ele deve orientar a família para a criação de uma verdadeira mentalidade de prevenção de acidentes, isto é, para que se pense no acidente antes que o mesmo ocorra. Assim como se pensa em determinada doença contra a qual foi aplicada a vacina respectiva. Os acidentes domésticos figuram entre as principais causas de morte na infância, além de serem a origem de invalidez em inúmeras crianças. Diversas instituições brasileiras iniciaram, desde a década de 80, a computar os atendimentos em prontos-socorros relacionados aos acidentes domésticos envolvendo a faixa etária de zero a quatorze anos, e os números alcançados são assustadores, nem tanto pela quantidade de vidas abreviadas, mas pelo fato de que muitas destas tragédias poderiam ter sido evitadas com medidas simples e um tanto mais de atenção. Estima-se que, para cada criança que morre outras 900 podem sofrer seqüelas de todo tipo, incluindo invalidez permanente. Relatórios da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade) demonstram que entre 1985 e 1993, ocorreram 2.916 mortes de crianças com menos de um ano por acidente no Estado de São Paulo. Todavia, os índices podem ser mais assustadores, pois os pais costumam esconder as notificações de acidentes. No Brasil, a primeira causa de morte de crianças a partir dos 5 anos de idade são acidentes que poderiam ser evitados com um pouco mais de precaução. Segundo a última pesquisa em grande escala sobre o assunto, realizada pelo Ministério da Saúde em 1997, batidas de carro, afogamentos, quedas, queimaduras e intoxicações mataram 5.843 meninos e meninas de até 14 anos. Qual a explicação para estatística tão assustadora? Segundo pediatras e especialistas da área de segurança infantil, a desatenção dos adultos e o menosprezo por riscos corriqueiros são, de fato, os grandes culpados pela maioria dos acidentes que vitimam crianças. Desatenção, nesse caso, não é absolutamente sinônimo de falta de amor. O problema é que bastam alguns segundos de distração para que os acidentes aconteçam, porém, as pessoas tendem a achar que nunca acontecerão com elas próprias. S.Erkal e colaborador, pediatras da Universidade de Ankara, Turquia, estudaram as casas em volta da Universidade, para verificarem a segurança em relação aos acidentes domésticos para crianças de 0-6 anos. Constataram que os quartos de dormir tinham 66,0% dos móveis com beiradas pontudas possíveis de causar acidentes em 63,2%; das tomadas elétricas da casa estavam abertas em condições de causar acidentes 68,4%; das casas tinham pisos escorregadios, e 68,9% das casas tinham janelas ou balcões que permitiam a passagem de uma criança, sem proteção. Nessas casas examinadas 28,8% das crianças de 0-6 anos, já tinham sofrido algum tipo de acidente no último ano.
Fonte: Turk J Pediatr. 2006 Jan-Mar;48(1):56-62

 

 

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