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Síndrome do Túnel do Carpo
Na região do punho existe um vale aonde passa o nervo mediano, há ocasiões que esse nervo fica submetido a uma compressão contínua, pelas estruturas ósseas e ligamentares do próprio punho. É chamada de Síndrome do Túnel do Carpo. É muito comum entre mulheres na faixa de 35 a 60 anos (em aproximadamente 2/3 dos casos existem em ambas as mãos). Pode ocorrer de modo transitório durante a gestação. Os sintomas típicos são a dormência e o formigamento nas mãos, principalmente nas extremidades dos dedos. Esses sintomas ocorrem ou pioram durante à noite, fazendo com que as pessoas tenham que levantar pelo incômodo proporcionado; algumas vezes pode surgir dor em todo membro superior. O quadro pode prolongar-se por meses ou até anos, e tende a ser progressivo. Nos casos mais avançados pode haver perda de força para segurar objetos com a mão. O diagnóstico da Síndrome do Túnel do Carpo é baseado nos sintomas característicos, e na comprovação da compressão do nervo por um exame chamado eletroneuromiografia, o qual constata um atraso na condução de estímulo elétrico pelo nervo mediano ao nível do punho. Nos casos graves deve-se fazer a cirurgia. G.Gummesson e colaboradores, da Universidade de Lund, Suécia fizeram um estudo em que compararam os resultados obtidos com a cirurgia endoscópica para liberação do túnel do carpo com a cirurgia a céu aberto. Foi um estudo randomizado que incluíram 128 pacientes com idades entre 25 e 60 anos. O resultado primário analisado foi a gravidade da dor pós-operatória na cicatriz, ou na superfície palmar proximal e o grau da dor que limita atividades, cada qual classificados em escala de quatro pontos, transformada em escore combinado de zero (sem dor) a 100 (dor grave que causa limitação da atividade). Os resultados secundários avaliados foram: duração do absenteísmo pós-operatório, gravidade dos sintomas da síndrome do túnel do carpo e escores do estatus funcional, escore de qualidade de vida SF-12, sensibilidade na mão e força. Um examinador diferente dos cirurgiões fez o acompanhamento em três e seis semanas, e
em três e seis meses. Sessenta e três pacientes foram alocados para tratamento cirúrgico endoscópico, e 65 indivíduos foram alocados para tratamento cirúrgico a céu aberto; não ocorreram desistências ou abandono do estudo. Dor na cicatriz ou na superfície palmar proximal foi menos prevalente ou menos grave após cirurgia endoscópica, porém as diferenças foram geralmente discretas. Após três meses, dor na cicatriz ou na superfície palmar foi relatada por 33 pacientes (52%) submetidos à cirurgia endoscópica e por 53 pacientes (82%) alocados para tratamento cirúrgico a céu aberto (número necessário para tratar = 3,4; IC95% = 2,3 ? 7,7) e a diferença média do escore para gravidade da dor na cicatriz ou na superfície palmar e limitação de atividade foi igual a 13,3 (5,3 a 21,3). Não foram encontradas diferenças entre os grupos quanto aos demais desfechos analisados. O absenteísmo médio após tratamento cirúrgico foi igual a 28 dias nos dois grupos estudados. Medidas de qualidade de vida apresentaram melhora substancial após tratamento. Portanto, os pesquisadores concluíram que, na síndrome do túnel do carpo, cirurgia endoscópica associa-se à menor dor pós-operatória que a cirurgia a céu aberto, porém o benefício restrito e a semelhança quanto às demais evoluções torna sua relação custo-benefício incerta.

Fonte: BMC Musculoskelet Disord. 2006 Feb 23;7:17

 

 

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