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Coluna Vertebral
Osteomielite na coluna por fungos
Durante muitos anos, os fungos foram considerados como vegetais, porém, a partir de 1969, passaram a ser classificados como seres pertencentes a um reino à parte diferenciados das plantas. A capacidade dos fungos de causar doenças invasivas é muito bem documentada. São doenças da pele, unhas, couro cabeludo, vagina etc....que também são chamadas de micoses. A micose ou o fungo são identificados por meio de um exame que se chama cultura, que é uma placa com uma gelatina especial que permite o fundo se desenvolver e depois ser identificado no microscópio. O fundo pode ser pesquisado na urina, no sangue e os raspados de pele, unha cabelo. As espécies de micoses chamada de Cândida constituem, hoje, o quarto microrganismo mais isolado nas hemoculturas (cultura de sangue, para identificar micoses internas) de pacientes
internados nos Estados Unidos, atrás apenas do Staphylococcus aureus,estafilococos coagulase-negativa e enterococos (esses nomes identificam
as bactérias de infecções de órgãos internos. Fungos e bactérias são seres unicelulares completamente diferentes entre si, mas podem ser
identificados no microscópio. Ambos são diferentes dos vírus, que também devem se desenvolver em culturas, mas não são identificados no microscópio, pois são muito pequenos. Os índices de candidemia (presença do fungo Cândida no sangue); nos hospitais americanos aumentaram em dez vezes entre 1978 e 1984, duplicaram entre 1980 e 1990, com a tendência contínua de expansão. Isso aconteceu devido os avanços da medicina
relacionados ao transplante de órgãos, a utilização de instrumentos cirúrgicos artificiais de difícil esterilização e as imunodeficiências encontradas em pessoas com o sistema imunológico deficiente que tem necessidade de tomar medicamentos, e depois se submeter a cirurgias. Nesse grupo, dos indivíduos que desenvolvem a infecção por fungos
correspondem a 20% de todos os pacientes internados nos hospitais, sendo que 15% desse grupo, esse fungo se estabelece no órgão alvo da
infecção no osso ou a articulação. A infecção no osso ou na articulação chama-se osteomielite. Nos adultos com osteomielite por disseminação da
infecção no sangue, seja por bactéria ou fungo, os corpos e espaços vertebrais são os locais mais comuns. O diagnóstico da infecção osteoarticular causada por fungo é difícil, devido aos indicadores clínicos inespecíficos e pouco sensíveis. A osteomielite vertebral pode ser por bactérias, sendo a mais comum a osteomielite tuberculosa, a oesteomieleite por fungos e depois as osteomielites por bactérias mais raras. Os sintomas são inespecíficos com as tradicionais dores na coluna, porém a pessoa tem sempre cansaço, palidez e febre. Somente os exames laboratoriais e por imagem podem fazer o diagnóstico. Giovannini Cesar Figueiredo e colaboradores, da Universidade Federal da Bahia, alertam baseado em dados coletados na literatura médica que houve
uma tendência de crescimento de publicações de casos de osteomielite vertebral por fungos, com a maioria após 1990. Os relatos provenientes da América do Norte, predominaram o agente etiológico mais comum foi Cândida sp (41,2%), seguido de Aspergillus sp (32,1%). O tempo compreendido entre o aparecimento dos sintomas e o diagnóstico variou de uma semana a 9,6 anos, com média de 24,4 ± 41,6 semanas. A coluna lombo-sacra foi o segmento mais afetado (59,1%), sendo a coluna cervical acometida em apenas (7,5%) descrições. O tratamento cirúrgico foi realizado em (63,2%) dos casos.
Fonte: Rev. Bras. Reumatol.47(1): 34-41 Jan./Feb. 2007

 

 

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