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Artropatia Hemofílica e isótopo radio ativo
A hemofilia é uma doença genética e hereditária que atinge cerca de 8,2 mil brasileiros, segundo o Ministério da Saúde no ano de 2007. É causada por um defeito na coagulação do sangue, por isso provoca sangramentos que comprometem as articulações e os músculos, causando dores, prejudicando a mobilidade e podendo causar invalidez. A doença manifesta nos primeiros anos de vida por uma susceptibilidade a apresentar episódios de sangramento espontâneos ou após trauma. A maior parte dos acidentes hemorrágicos dos hemofílicos é do sistema locomotor. O desenvolvimento dos concentrados de fatores da coagulação que é um dos tratamentos contribuiu para a maior longevidade desta população, fazendo com que a atenção médica se desloque para o cuidado da prevenção e tratamento das seqüelas ortopédicas, que constituem a maior causa de invalidez na hemofilia, nos pacientes mais velhos. O acometimento articular das Hemofilias A e B graves é típico, e designado Artropatia Hemofílica (AH). A AH é descrita em três fases sucessivas: aguda, subaguda e crônica. Os sistemas de estadiamento da AH se baseiam nos achados radiológicos. Os pacientes entre 12 e 15 anos tem um tempo de evolução da artropatia que varia de 5 a 24 meses. Os pacientes com mais idade (14 e 15 anos) apresentam deformidade em flexão de 5°. e 10°. A grande maioria de jovens apresentam hipotrofia muscular de coxa, derrame articular e espessamento sinovial palpável. O exame radiográfico demonstra alargamento epifisário, aumento de densidade de partes moles e osteopenia em todos os casos. Cistos subcondrais, angulosidade dos contornos epifisários e alargamento da região intercondilar. A medida da espessura da membrana sinovial em média tem valores entre 7 e 10 mm, valores que estão aumentados em relação aos padrões de normalidade: entre 2 e 3 mm. A AH em fase subaguda é uma artropatia de natureza inflamatória, em que as hemartroses sucessivas provocam inflamação sinovial e aumentam a susceptibilidade a novas hemorragias, estabelecendo um ciclo vicioso. A articulação que sofre este processo durante a adolescência terá como seqüela uma artropatia degenerativa grave com lesão da cartilagem articular, contratura fibrosa da cápsula articular e lesões ósseas. Existem recomendações de atuar precocemente na membrana sinovial para evitar o dano da cartilagem articular e interferir na história natural da doença, com o objetivo de evitar a degeneração articular. Na avaliação da AH com base no exame radiográfico, tende a subestimar a gravidade das alterações articulares. O exame clínico de dos pacientes é muito exuberante, e indica franca atividade inflamatória da doença. J.Bucerius e colaboradores, da Universidade de Bonn, Alemanha estudaram um novo tipo de tratamento em 12 pacientes com artropatias hemofílicas e com dores. Esse pacientes receberam um isótopo radio ativo na articulação chamado de Rhenium-186. Ao contrário de outros tratamentos com esse tipo de medicamento radioativo, esse piorou as dores.
Fonte: Clin J Pain. 2007 Sep;23(7):612-618.

 

 

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