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Fisioterapia
Síndrome Pós-Pólio
A Síndrome Pós-Pólio é um conjunto de sintomas decorrentes dos efeitos tardios da poliomielite aguda. Trata-se de uma condição de saúde ainda pouco conhecida pela medicina, e pelos próprios pacientes que em inúmeros casos, acabam inexplicavelmente tendo suas atividades extremamente limitadas. A poliomielite, aos olhos da medicina, era considerada uma doença neurológica não progressiva, estática. Acreditava-se que após a reabilitação e a reeducação a maioria dos sobreviventes atingiria um patamar de estabilidade funcional e neurológica que duraria indefinidamente. Contudo, no final dos anos 70, começaram a surgir relatos de pessoas que haviam se recuperado da pólio paralítica décadas atrás e que estavam desenvolvendo problemas de saúde inesperados e restritivos, como fadiga incontrolável, fraqueza muscular, dores musculares, nas articulações etc... Atualmente, estima-se que existam cerca de 20 milhões de sobreviventes da pólio em todo o mundo. Essas pessoas, sofrendo os seus efeitos tardios, finalmente começaram a atrair a atenção da comunidade médica, e, no início dos anos 80, foi cunhado o termo ?Síndrome Pós-Pólio? (SPP). A hipótese mais aceita é a de que a (SPP) não é causada por uma nova atividade do pólio-vírus, e sim pelo uso excessivo dos neurônios motores ao longo dos anos, uma vez que o vírus pode danificar até 95% desses neurônios, matando pelo menos 50% deles, o que vem a comprometer os estímulos do indivíduo. Os neurônios remanescentes compensam esse dano enviando ?ramos?, como linhas de telefone extras, para ativar músculos que ficaram órfãos quando seus neurônios foram mortos. Esses ?ramos? desenvolvidos pelos neurônios passam a falhar, vindo a morrer pelo excesso de uso, causando fraqueza muscular, fadiga, dor nas articulações, além da dificuldade de respiração e de deglutição em casos mais raros. Hoje, acredita-se que os sobreviventes da pólio necessitam ?conservar para preservar?, ou seja, conservar energia, parar com o excesso de uso e com o abuso de atividades para preservar sua capacidade funcional. As estratégias para o tratamento da (SPP) incluem um tratamento multidisciplinar com profissionais especializados e conhecedores da síndrome, como fisioterapia (principalmente a hidroterapia); terapia ocupacional, com técnicas de conservação de energia; modificações do estilo de vida, entre outros. Preocupados com a ocorrência da (SPP) no Brasil, fenômeno que pode se tornar uma questão de saúde pública em nosso país, a ABRASPP vem procurando chamar a atenção de alguns setores da sociedade para o problema, visando aprimorar o desenvolvimento das pesquisas científicas, as medidas de tratamento e a melhoria da qualidade de vida dos pacientes. Realizar o evento denominado Síndrome Pós-Pólio: uma questão de saúde pública, portanto, significa divulgar e sensibilizar a sociedade nesse sentido.

Fonte: Arch Phys Med Rehabil. 2006 Oct;87(10):1352-6

 

 

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