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Fisioterapia
Etanol e a saúde pública
O Brasil é o maior produtor de cana-de-açúcar do mundo. Atualmente, 6 milhões de hectares do território nacional são utilizados para o plantio de cana, representando 1% das terras agricultáveis, ou o espaço equivalente a duas vezes o Estado do Piauí. A produção nacional é de 290 milhões de toneladas/ano. Da safra canavieira, 55% são destinados à produção de álcool e subprodutos, enquanto os demais 45% são destinados à produção de açúcar e subprodutos. Uma avaliação recente estimou em 12% a participação da agroindústria no PIB brasileiro. Em 80% desse território, há queimadas no pré-colheita. Só o estado de São Paulo é responsável por 75% dessa produção. Nos últimos anos, há relatos de diversos episódios de queimas de biomassa e vegetação em todo o mundo, porém, a única queima programada é aquela realizada durante o processo de fabricação do etanol. Isto acontece a despeito de os estudos mostrarem que o material particulado e
os gases emitidos com a combustão geram inúmeros problemas ambientais e de saúde. Fábio Silva Lopes; Helena Ribeiro do Departamento de Saúde Ambiental da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, afirmam que a prática de queimar a palha da cana-de-açúcar antes do corte causa uma modalidade de poluição do ar. Enquanto a emissão veicular de material particulado pode chegar a 62 toneladas/dia na Região Metropolitana de São Paulo, o material particulado proveniente da queima de palha, conhecido como "carvãozinho", pode chegar a 285 toneladas/dia. No que tange à qualidade de vida das coletividades, a literatura indica uma série de conseqüências negativas que atinge a população, em razão do material particulado produzido pelas queimadas. Por meio dos estudos feitos em Piracicaba e Araraquara, foi possível verificar que a queima da palha da cana-de-açúcar contribui para o aumento de hospitalizações e atendimentos emergenciais. Os mais afetados são as crianças, idosos acima de 60 anos e pessoas que já
possuem patologias cardio-respiratórias. Só em Piracicaba foi registrado um aumento de 21% nas internações infantis. Ou seja, além de prejudicar a saúde de pessoas sem problemas aparentes, exacerba os sintomas nos portadores de asma, bronquite, hipertensão arterial, arritmia cardíaca, entre outros. Por se tratar de um combustível puro, a utilização do etanol em regiões metropolitanas é benéfica para reduzir a poluição. O que os médicos
questionam é o modo de fabricação deste produto.
A queima da cana antes de seu corte aquece a terra algumas vezes, o calor se conserva até a chegada do trabalhador ao canavial. A alta
temperatura se intensifica no decorrer do dia, pela ação solar. Além do calor, o trabalhador fica exposto à poeira e à fuligem da cana queimada que
impregnam em seu rosto, mãos e roupas. Em muitos casos não há ambiente apropriado para alimentação e condições sanitárias precárias. A Organização Mundial de Saúde, em sua publicação denominada "Diretrizes de Saúde para Eventos de Fogo em Vegetação", esclarece que a queima de
biomassa gera problemas basicamente em duas áreas ambientais: ? Poluição atmosférica ? impacto direto da fumaça na saúde humana e na economia, influência de gases e emissões de partículas na composição da atmosfera. ? Biodiversidade ? conseqüências deletérias no desempenho dos
ecossistemas e na estabilidade da paisagem.
Fonte: Rev. Bras. Epidemiol. 9 (2) jun. 2006

 

 

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