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Fisioterapia
Drogas e acidentes
Vários estudos mostram a associação do uso de álcool e incidência de traumas. A Organização Mundial de Saúde fez uma pesquisa epidemiológica em 2001 sobre a presença do álcool e traumas, em departamentos de urgência de 12 países. Entretanto, no Brasil os pesquisadores resolveram incluir a análise de outras substâncias psicoativas, como maconha, cocaína e benzodiazepínicos na prevalência desses traumas. Nos três meses de coleta de dados, que ocorreram diariamente e por 24 horas, foram incluídos 353 pacientes que deram entrada no Pronto-Socorro do Hospital São Paulo devido a trauma não fatal. Além da utilização de um questionário, padronizado pela OMS, o trabalho registrou o auto-relato do consumo de drogas nas últimas 24 horas que antecederam o trauma. Destes, 242 tiveram coletados amostras de urina para detecção de maconha e cocaína no organismo
e, 166 para benzodiazepínicos. Já a concentração de álcool no sangue foi avaliada em todos os
participantes do estudo, por meio do uso de um bafômetro. Os resultados apontaram que o uso de substâncias psicoativas nos indivíduos que sofreram trauma é altamente prevalente, sobretudo para o álcool, detectado pelo bafômetro em 11% dos casos; e para a maconha, com 13,6% de positividade no teste de urina. Já a cocaína e os
benzodiazepínicos foram menos freqüentes, sendo positivos para 3,3% e 4,2% dos indivíduos, respectivamente. A associação entre o álcool e outras drogas também foi detectada em quase 8% (27) dos entrevistados, o que aumenta ainda mais os riscos de traumas. Foi identificada a presença
de maconha e benzodiazepínicos no organismo de três indivíduos; de maconha e cocaína, em seis; de álcool e benzodiazepínicos, em um; de álcool e cocaína, em cinco; e, de álcool e maconha, em 12.
Durante a entrevista, apenas 9,9% dos indivíduos admitiram ter consumido algum tipo de droga nas 24 horas que antecederam a pesquisa. Estimativas feitas em 2000 pela OMS apontam que em diversos países, o custo médio global dos danos por mortes atribuídas ao álcool relacionadas a traumas foi de 46%. T.M. Keane e colaboradores, da Universidade
de Boston, chamaram atenção para um outro fato que costuma acontecer com as pessoas que se
acidentaram, que é o distúrbio pós-traumático emocional que afetam cerca de 7% a 8% de todas as pessoas, sendo que a principal queixa clínica é a ansiedade que deve ser tratada com os inibidores da recaptação da serotonina.
Fonte: Annu Rev Clin Psychol. 2006;2:161-97.

 

 

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