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Psicologia
Drogas e roubos
A psicóloga Mayra Martins, que atua na Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto (EERP) da USP, entrevistaram 150 adolescentes (entre 12 a 21 anos) do sexo masculino, que cumpriam pela primeira vez medida sócio-educativa de internação nas Unidades da FEBEM (Fundação Estadual do Bem-Estar do Menor, atual Fundação Casa), de Sertãozinho e Ribeirão Preto. A maioria dos adolescentes (63,4%) vinha de estrutura familiar monoparental, ou seja, chefiada somente pelo pai ou pela mãe. O nível socio-econômico e de escolaridade era baixo, e se mantinha com a prática de infrações para sobreviver. Dos adolescentes pesquisados, 96,7% já haviam experimentado maconha, 82% ainda faziam uso da droga, 77% disseram já ter usado cigarro e 65%, cocaína. Nos atos infracionais, 66% se envolveram em roubo, 74% com o tráfico de drogas e 59% com furto. A pesquisa apontou ainda a existência de forte associação entre o uso do álcool e da maconha com delitos, exceto homicídio, e o
uso do crack com o tráfico de drogas. Esses dados confirmam que quando o uso de drogas ocorrem precocemente, existem uma chance maior destes adolescentes se envolverem também mais cedo com comportamentos de risco. As pesquisas revelam que quanto mais cedo esses jovens se envolvem com o uso de drogas, maior a possibilidade de comprometimentos físicos, doenças
físicas, mentais e sociais, como abandono escolar etc... Vários estudos confirmam que o uso de drogas pode ser reduzido ou mesmo abandonado com o amadurecimento, dependendo de outros fatores como família, religião, personalidade, escolaridade e grupo de amigos. Com relação ao
álcool, a maioria provou em casa por vontade própria na presença de algum familiar, com o cigarro e a maconha a maior parte dos jovens provou pela primeira vez por vontade própria, na escola ou na rua, depois que viu algum amigo fumando. Nos relatos dos adolescentes, os atos infracionais são justificados pela necessidade
de ajudar a mãe ou a família, uma vez que estes vivem em situações de pobreza e até mesmo com falta de comida. Os jovens também justificam a prática de delitos com a necessidade de obter drogas para manter o consumo, obter dinheiro para comprar tênis, roupas e acompanhar o estilo da moda juntos com os amigos nas baladas. O número de reincidências em atos infracionais após a saída da FEBEM é de 30%. É possível concluir que boa parte destes adolescentes quando saem da internação também deixam a prática infracional, vontade que é expressa nas entrevistas quando a maioria dos jovens diz sonhar com uma vida normal. A enfermeira Maria do Horto Fontoura Cartana, Professora Adjunta da Universidade Federal de Santa Catarina, afirma que esses adolescentes devem ser amparados pela mãe no período pós-tratamento para deixarem completamente o vício.
Fonte: Rev. Latino-Am. Enfermagem 13 (2) Nov./Dec. 2005.

 

 

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