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Psicologia
Atendimento de pacientes psiquiátricos
Desde a década de 1950, diversos países vêm implementando o atendimento psiquiátrico comunitário. Esse atendimento ampliou a participação dos familiares no tratamento dos pacientes psiquiátricos. Passou a fazer parte do cotidiano dos familiares atender às necessidades básicas dos pacientes, coordenar suas atividades diárias, administrar sua medicação, acompanhá-los aos serviços de saúde, lidar com seus comportamentos problemáticos e episódios de crise, fornecer-lhes suporte social, arcar
com gastos e superar as dificuldades dessas tarefas. Pesquisas internacionais vêm investigando a experiência dos familiares que cuidam de pacientes psiquiátricos desde então , constataram que os familiares cuidadores de pacientes psiquiátricos sentem-se sobrecarregados. Tornar-se cuidador de um paciente psiquiátrico pode gerar sobrecarga, porque constitui uma quebra no ciclo esperado de vida, que pressupõe que pessoas adultas sejam independentes. Essa atividade requer que os familiares coloquem suas necessidades e desejos em segundo plano e reorganizem sua vida em função das
necessidades do paciente. Os estudos brasileiros sobre esse tema ainda são escassos. Somente três pesquisas foram encontradas, em periódicos científicos, que avaliaram o grau de sobrecarga de familiares, por meio de instrumentos validados. Dessas, uma avaliou a sobrecarga subjetiva de familiares de pacientes com esquizofrenia, e as outras investigaram a sobrecarga subjetiva dos cuidadores de pacientes idosos, com demência ou depressão. Sabrina Martins Barroso e colaboradoras, psicólogas da Universidade
Federal de Minas Gerais, fizeram um estudo descritivo com 150 familiares de pacientes
psiquiátricos, selecionados aleatoriamente nos postos de atendimento público do SUS. Utilizaram a
Escala de Sobrecarga dos Familiares de Pacientes Psiquiátricos (FBIS-BR); e um questionário sócio-demográfico e clínico. A maioria dos cuidadores apresentaram elevada sobrecarga objetiva relativa
à alta freqüência de ajuda aos pacientes nas tarefas cotidianas e elevada sobrecarga subjetiva,
referente às preocupações com os pacientes, ao elevado grau de incômodo ao supervisionar seus
comportamentos problemáticos e à percepção de mudanças permanentes na vida social e profissional dos familiares. As alterações diárias na rotina não acarretaram sobrecarga objetiva aos
cuidadores. A média de gastos mensais com os pacientes foi de R$ 153,57. Os resultados confirmaram dados de estudos internacionais com cuidadores de pacientes psicóticos e de estudos nacionais com cuidadores de pacientes idosos com depressão e demência. Os resultados da presente pesquisa mostram a necessidade de desenvolver programas de informação, orientação e apoio aos familiares dos pacientes psiquiátricos.
Fonte: Rev. Psiquiatr. Clín.34 (6) 2007;

 

 

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